Tuesday, March 14, 2006

O primeiro clic no botão do ventilador Arno branco e azul no sentido esquerda-direita já o faz ligar na intesidade 3. Isso é perfeito pra noites de janeiro a março. Mas essas noites de verão não tem sido tão boas como sugere a estação. É como durante todo o ano. As pessoas sempre desaparecem. O telefone raramente toca e a preocupação com o futuro gera medo e insegurança nas figuras que provavelmente irão pro céu. Será que eu vou pro céu? Minha nossa, chego a tremer de solidão.
Dia desses na madruga eu descí pra comer um cachorro quente na calçada do terminal, uma verdadeira praça gastronomica de hot-dogs 24hs, e em menos de vinte minutos deparei com uma figura que tossia numa ronquidão de dar medo e que falava feito uma maritaca, dois travecos que deixariam os N.Y.Dolls de 73 no chinelo e um gato que andava jazzisticamente sobre um toldo de loja, sem contar outros detalhes. O lanche tava gostoso e saíu barato.
Descer ao velho bar perto do zerão atualmente equivale a bater e voltar. Não podemos esperar pela volta dos bons tempos. Não tem como. Eu odeio ficar expremido no meio daquela multidão de oba obas. Não consigo me divertir em meio a bicho grilos universitários e nem com aquele bando de malaco que rodeia a porta e ficam te olhando como se você tivesse algum problema com a mãe deles. Acho que não existe mais solução pra quem passou dos 28. Aí você desencana mesmo dessas coisas e começa a achar que ningum quer saber de você. Claro que não querem. Se você não se esforçou pra ser doutor em alguma coisa, não tem um bom trabalho ou trabalho algum, não está casado segundo as regras da igreja e também não se importa com a cor do carro dos outros, aí sim meu filho você ta lascado. Ah, ah, que vida ridícula é essa a que eu levo, que as pessoas não me levam a sério, e preferem ser corpos robóticos, e preferem ser estereótipos, e preferem ser mais um rótulo inútil, e tratam você de maneira tão fútil.
Pelas esquinas de Londrina. Tá aí um lugar que eu adoro. Cidade dos pombos e dos taxistas que os maltratam com bombinhas por volta das dezoito horas. Lugar onde o meio termo e a corrupção nunca foram sinônimos de atraso ou decadência. Mas amo realmente minha cidade e tenho lindas lembranças da minha infância e adolescência. Da infância eu me lembro bastante dos anos 80, onde o Alborghetti, vulgo cadeia, mostrava desde crianças degoladas até corpos de mulheres estranguladas pelos maridos e duros feito borracha. Tinha também as propagandas políticas onde as ruas ficavam tão sujas com panfletos que era impossível enxergar a cor do asfalto. Nos anos 90 começaram os meus problemas na escola. O menino não enxerga, o menino reprova, o menino é suspenso, o menino reprova de novo, o menino muda de colégio, daí reprova de novo e daí é expulso no meio do ano. Ufa. Nenhuma linha acima é mentira. Mas em outro colégio eu já estava com uma banda de rock and roll. Ainda dava alguns problemas, mas nada sério. Ainda penso que o rock me salvou de algum tédio maior que eu ainda evito encontrar. Nesse meio até que tem sido muito bom conhecer algumas pessoas realmente legais e honestas e até mesmo aqueles ¨boa pinta¨do rock e da cultura que na verdade só querem te sugar, supostamente ¨divul-lucrando¨com o seu trabalho. Acho que esse mundo é assim mesmo. Mas conhecí o lado bom também. Temos andado com pessoas realmente legais e afim de viver a vida ao máximo. Adoro meus amigos de bar, que ás vezes são quase uma família e a gente anda e agita pra lá e pra cá. Mas sei que minha família na maioria do tempo sou eu mesmo.
Que Deus salve as entidades; Paulão Rock and Roll, Augusto Silva, Márcio Américo, Paulinho Peretti, Donizetti Potiguá, Christine Vianna e a mim também.

0 Comments:

Post a Comment

<< Home