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Agora a pouco eu estava subindo a rua Prof. João Cândido com o Steven. Estávamos subindo no sentido calçadão. Paramos alí mesmo na calçada do cemitério pra observar as baratas. Putz, como tem barata naquele lugar. Se você pegar pra dar uma volta na quadra do cemitério à noite, o que equivale a quatro quadras grudadas, você é capaz de contar centenas delas. Eu acho que o cemitério São Pedro é o grande responsável pela população de baratas daquele quadrilátero todo e quadras a mais. Mas as baratas são espertas. Talvez sejam até mais espertas que algumas pessoas que frequentam alguns bares por alí. Eu e o Steven ficamos observando uma delas atravessar a turbulenta rua. Eu juro que observamos uns dez veículos passarem por ela enquanto ela tentava atravessar a rua e vímos ela sair ilesa numa distância que para um ser humano talvez equivalesse a três quadras. Adorei.
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Ouço histórias em todo o centro da cidade. Crescí alí perto do cemitério São Pedro e de certa maneira também fui expulso dalí. Que se dane. Vagabundo não tem vez. Mas conviví com fatos estranhos e inusitados nos vinte anos em que viví na rua Espírito Santo, 1037 apto 104. Nos anos 80 eu era o terror do edifício e da vizinhança. Hoje em dia aquele pedaço é um próspero antro de burgueses e universitários paulistas possívelmente bem sucedidos. Mas tenho lembranças deliciosas da padaria Olímpia e da época em que as ruas Prof. João Cândido e Espírito Santo eram de paralelepípedos. Eu tive um amigo que fiz em 1986 e seu nome era (acho que ainda é) José. Costumávamos passar os finais de tarde dando voltas no quarteirão em nossas bicicletas, metendo pedra nas coisas com nossas atiradeiras e colocando bombinhas em garrafas de vidros eventualmente. José era o cara mais fascinante do pedaço. Eu fiquei amigo dele quando ví um outro amigo meu o chamando de ¨Orca, a baleia assassina¨. Não me lembro se comprei a briga, mas fiquei amigo no ato, do cara que a algumas semanas atrás era uma incógnita com sua Bmx Monark preta. Muito gordo e forte, muito inteligente e transtornado já aos dez anos de idade. Teve sérios problemas na infância ainda bem novo devido à disputas conjugais e loucura por parte da família de ambos os lados. Sua tia Célia era uma bruxa e um anjo ao mesmo tempo. Sua avó Ruth era uma pessoa linda, dedicada e de uma gentileza que pouquíssimas vezes ví na vida. Foi nessa época em que ví pela primeira vez a capa do álbum Pleasant Dreams dos Ramones, num album de figurinhas. Me lembro também uma vez em 1988 em que um carinha da classe pedíu um disco dos Ramones de amigo secreto e ganhou um disco de novela da Globo.

1 Comments:
E quando umas mina doida resolviam aparecer no apê da Espírito Santo de madrugada bêbadas de vinho da Adega? Haja saco... falar que ela tava cheirando pinga e mandá-la tomar banho (literalmente) foi pouco! Hehehe
Não vai parar de escrever só porque virou espanholito!! Não contou nenhuma da Adega ainda. Nem das calças tão apertadas que vocês usavam que não conseguiam nem pular um muro.
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