Friday, April 07, 2006

A pouco eu estava conversando com o Igor em frente a galeria do shopping Londrina. De repente olho pro outro lado da rua e vejo subindo uma das maiores figuras da cidade. Robson Leão.Uau. Oooo, Robson, Robson, chega aí. Ele olhou algumas vezes e me reconheceu. Atravessou a rua e nos cumprimentou sem pegar na mão. Esse hábito ele já tem a alguns anos e não é falta de educação da parte dele. Ele simplesmente não pega na mão de homens. Bom, pra quem já o conhece tá tudo em casa. O Arthur chegou na sequência e ficamos conversando por alguns minutos. O Igor vazou na sequência e nós três entramos na Garageland. Leão é uma figura única na vida das pessoas que o conheceram. Tenho dezenas de lembranças malucas de quando andávamos pelas madrugadas e pelas manhãs na cidade. Acho que o ví pela primeira vez no final do ano de 1993. Me lembro dele num show na sede da Ules na Duque. Ele usava o cabelo completamente raspado, uma camiseta branca cavada com o a capa do álbum Never Mind the Bollocks dos Pistols. Andava muito rápido pra lá e pra cá. Mesmo de madrugada. Não me lembro agora quando o conhecí de fato, mas não foi muito depois disso. Depois costumávamos a andar na rua de madrugada mesmo durante a semana.
Teve uma noite em que eu pirei de comprar um monte de pães e resolvemos saír para distribuí-los às pessoas que moravam na rua. Não sei por que fizemos aquilo, mas foi legal e até ficamos bem vistos no meio da rapaziada que dormia na concha. Nessa mesma noite tivemos um plano muito mirabolante. Resolvemos que iríamos entrar num desses edifícios comerciais durante a madrugada e entramos. Como tínhamos ainda um pão no pacote, dissemos ao sonolento porteiro que iríamos levar pão pros caras da rádio no último andar do prédio. Entramos no edifício e ficamos subindo e descendo as escadas durante a madrugada. Acho que fizemos isso pra ver se o porteiro nos deixaria subir. Minha nossa, até hoje fico imaginando que aquela merda de rádio poderia sair do ar. E na minha cabeça, de alguma forma, talvez naquela noite eu estivesse mais próximo disso. Bom, claro que saímos de lá numa boa e continuamos pela rua. Me lembro que antes de nos despidirmos naquela manhã, havia também o plano de irmos até a porta do antigo colégio São Paulo pra vermos as garotas entrando pra aula. Isso foi em 94 ou 95.
Tivemos outras noites na rua andando pra lá e pra cá. Mas tiveram festas mais loucas e divertidas naquela época. Houve uma numa chácara um dia depois do Sitião ter me dado dois socos no olho. No final da festa estávamos todos voltando em cima de uma pick up e Leão chacoalhava a cabeça no estilo heavy metal em pé e segurando num ferro atrás da gabine, no meio das garotas e dos caras. Foi uma das coisas mais engraçadas que eu já ví. As histórias são muitas ao lado dessas figuras de Londrina. É muita coisa que acontece nessas madrugadas bem vividas. Adorar literalmente um poster gigante dos Sex Pistols na frente de uma vitrine ás 5:30 da manhã em 1996 não é pra qualquer um. Apareça sempre Robson.

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